O ESTADO INTERMEDIÁRIO ( Texto básico I Co 15.12-19)

imagem de Pr. Everaldo Filho

O nosso estudo abordará a luz da Bíblia o estado intermediário dos
mortos, mas antes de falarmos desse assunto entenderemos o que é a vida e
falaremos também da ressurreição dos mortos.
Deus é o autor da
vida, na concepção secular, vida é o estado de atividade incessante,
comum aos seres organizados; tempo que decorre entre o nascimento e a
morte; existência (1).
Ainda, vida é o resultado de uma reação
em cadeia que, partindo da síntese das proteínas e dos ácidos nucléicos,
conduz, mediante modificações físico-químicas sucessivas a formação de
estruturas complexas denominadas organismos, assim é vista a vida pela
ciência.
Quando começa a vida? Tanto à luz da Bíblia quanto da
ciência, a vida começa desde a concepção, desde a formação do ovo ou
zigoto (2).
“Os teus olhos viram o meu corpo, ainda informe; e
no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação
foram formadas, quando nem ainda uma delas havia” ( Sl 139.16 - Grifo
acrescido).
Na ordem da criação, primeiro Deus “criou” a vida
vegetal (Gn 1.11,12). Aqui Deus da vida a criação; depois, Deus criou a
vida animal (Gn 1.20-22).
O verbo “criar” (heb. “bara”) é usado
exclusivamente em referência a uma atitude que somente Deus pode
realizar. Significa que, num momento específico, Deus criou a matéria e a
substância, que antes nunca existiram.
Criação do homem (Gn
1.26,27), tanto o homem, quanto a mulher, foram uma criação especial de
Deus, não um produto da evolução; a evolução é uma tentativa naturalista
para explicar a origem e o desenvolvimento do universo.
Sobre o
assunto Donald C. Stamps afirma que a outorga da vida aos seres humanos
dessa forma (especial), distingui de todos os demais seres vivos. Deus
comunicou de modo específico a vida e o fôlego ao primeiro homem, a vida
humana está num nível acima de todas as outras formas de vida.

Disse Deus: façamos (Gn 1.26). O homem não é simplesmente um animal
racional, ele é a glória da criação. O homem é composto de duas
substâncias (Gn 2.7) - a substância material, chamada corpo, e a
substância imaterial, chamada alma. A alma é a vida do corpo e quando a
alma se retira o corpo morre.

No mundo existem três
tipos de pessoas:
1) Pessoas divinas: Pai, Filho e Espírito
Santo;
2) Pessoas angelicais: Anjos - ordem de seres superiores
aos homens (Pr. Severino P. da Silva); e
3) Pessoas humanas:
aquele que tem personalidade individual (3).

O homem é um
ser trino, ou seja ,é formado de alma, corpo e espírito (I Tesss 5.23 e
Hb 4.12). No princípio quando Deus soprou o espírito de vida no corpo
inanimado do homem, ele foi feito “alma vivente”.
O espírito faz
o homem diferente de todas as demais coisas criadas. Os irracionais têm
alma (Gn 1.20, no original) mas não têm espírito. Assim, dessemelhante
dos homens, os irracionais não podem conhecer as coisas de Deus (I Co
2.11).
A alma é aquele princípio inteligente e vivificante que
anima o corpo humano, e comunica-se com o mundo exterior. Originalmente a
alma veio a existir em resultado do sopro sobrenatural de Deus.
Poderíamos dizer que as plantas têm alma (no sentido de um princípio de
vida, mas não é alma consciente). A palavra “vida” é “alma” no original
(Gn 1.20).
A alma dos irracionais somente duram na terra,
enquanto durar o corpo (Ecl 3.21). É mediante o corpo que o homem é um
ser social, um ser religioso e, por meio deles suas obras serão um dia
aprovadas ou reprovadas diante de Deus (II Co 5.10).





(1) Dicionário Brasileiro Globo
(2) Jornal Mensageiro da
Paz - Abril 2008
(3) Pr. Geziel Gomes - Estudo: “A personalidade
do Espírito Santo”.





O homem morreu quando
pecou (Gn 2.17), no sentido espiritual, Adão viveu 930 anos (Gn 5.5), no
sentido moral e espiritual a morte ocorreu imediatamente. A vida de
Deus morreu dentro deles, o pecado destruiu a comunhão espiritual. Adão
deu origem à lei da morte.
A morte física é a separação da alma
do corpo, do ponto de vista bíblico e filosófico, pela qual o homem é
introduzido no mundo invisível. No sentido universal: “cessação do
processo vital em um organismo vivo”.
“Ora o último inimigo que
há de ser aniquilado é a morte” (I Co 15.26).
Na linguagem
biológica molecular a morte é definida como “a dissolução da
estruturação molecular necessária para o fenômeno vida”.
Num
sentido geral costuma-se distinguir dois tipos principais de morte: a
morte absoluta e a clinica.
No primeiro caso e a separação
definitiva da alma e do corpo (do qual Abel foi a primeira vitima Gn
4.8).
Na morte clínica (MC - morte cerebral) cessação das
funções essenciais do corpo, mas não necessariamente “separação da alma e
do corpo”.
Um individuo é tido como clinicamente morto quando o
seu registro electroencefalográfico é mudo, sinal de que as células
cerebrais cessaram de viver.
Quando o coração, a respiração, o
sistema nervoso, cessaram a sua atividade, inicia-se o resfriamento do
corpo, que tende a atingir a temperatura do ambiente. Cerca de 16 horas
após a morte, começa a rigidez cadavérica a partir da mandíbula; o globo
ocular sofre um processo de amolecimento e torna-se opaco; em algumas
regiões, surgem manchas róseo-azuladas devidas à estagnação sanguínea; a
seguir, surgem manchas de coloração esverdeada especialmente nas partes
mais baixas do abdome, assinalando o início do processo de putrefação.

Logo após a morte, entram em ação os fermentos celulares que atuam
sobre o citoplasma determinando, a *autólise, e os germes provocam os
fenômenos de putrefação. * Autodesintegração de células degeneradas.

Essa era a situação de Lázaro, a Bíblia diz que ele estava na
sepultura já havia quatro dias (Jo 11.17), Marta disse a Jesus que o
local estava cheirando mal (Jo 11.39).

Morte súbita é a que
ocorre em pessoa aparentemente sadia no desempenho de suas atividades ou
na vigência de doenças que não faziam supor a existência de qualquer
perigo de vida. Foi o que aconteceu com o filho da sunamita (II Rs
4.19,20).
Morte lenta é a morte precedida de agonia (diminuição
progressiva das funções vitais). Geralmente como conseqüência de alguma
patologia (I Rs 1.17), fala do filho da viúva de Sarepta que morreu de
uma doença.
Morte aparente é a que se observa quando as
manifestações vitais estão reduzidas a tal ponto que aparecem extintas, a
ocorrência é rara, mas pode manifestar-se após afogamento,
estrangulamento, enforcamento, descargas elétricas, parto laborioso,
emoções violentas, etc.

PURGATÓRIO

Segundo Alfredo
Scottini definindo a palavra purgatório como lugar onde as almas dos
justos com algum pecado ficariam até pagar todas as penas.
“E,
como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o
juízo” (Hb 9.27).

Na doutrina espírita há possibilidade de
comunicação de espíritos mortos com os vivos.

O CASO DE SAUL


Na Bíblia (I Sm 28v 1 e ss) está registrado o caso de Saul e a
pitonisa de En-Dor que era uma mulher que fazia adivinhação pela
invocação dos mortos, ato este extremamente proibido por Deus (II Rs
23.24), essa mulher supostamente intermediava os vivos e a alma dos
mortos (médium).
A Bíblia diz que Saul não buscou ao Senhor - I
Cr 10.14 , Samuel havia dois anos de falecido e Saul que destruirá os
feiticeiros agora buscava uma. No versículo 6 no original o artigo é
definido e o verbo é enfático:
“ O Senhor lhe não respondeu, lhe
não responde e nem lhe responderá”.
“ Nem por sonhos“, que é
uma revelação pessoal de Deus:
“E disse-me o anjo de Deus em
sonhos: Jacó! E eu disse: Eis-me aqui (Gn 31.11)
“Nem por Urim”
pedras ou objetos que o sumo sacerdote empregava para conhecer a vontade
de Deus.
“Nem por profeta” revelação inspiracional da parte de
Deus...”O Senhor lhe não respondeu”.
Ora Samuel se encontrava no
“seio de Abraão” (Lc 16.22), entendemos que Lázaro estava numa posição
acima do rico (Lc 16.23), no texto em questão no versículo 14 diz:
“Subiu da terra”.
No versículo 17 ocorre uma falsa profecia,
pois sete anos depois é que o reino foi “rasgado” e dado a Davi, antes,
reinava Isbosete, filho de Saul (II Sm 2.8).
Em Ap 14.13 diz que
os que morrem no Senhor descansam dos seus trabalhos, porque então
Samuel diz: “me desinquietaste?”, que fala de agitação e nervosismo.

Portanto, não foi Samuel que ali apareceu, Deus condena tal
situação (Lv 19.31) e ele não se contra diz!
No versículo 19
mais um complemento dessa falácia, Saul não morreu no dia seguinte e nem
todos os seus filhos morreram. Saul só morreu 10 dias após a consulta
morreram três filhos (Jônatas, Abinadade e Melquisua), ficaram três
(Isbosete, Armoni e Mefibosete).
Alguns teólogos dizem que este
personagem pode ser a morte personificada, e tomam como base Jó 28.22.

A necromante nos versículos 13 e 14 ver “deuses” e depois “um
ancião”, Saul “nada viu”, apenas deduziu (contradição). “Envolto numa
capa”. Elias deixou a capa. Porque Samuel levaria a dele!? Deus é Deus
dos vivos e não dos mortos!

MOISÉS E ELIAS NO MONTE DA
TRANSFIGURAÇÃO (MT 9.2-13)

Dr. C.I. Scofield chama esta
passagem de previsão do futuro reino. Jesus está em glória, Moisés na
glória representa os remidos que passaram pela morte para o reino, Elias
na glória, representa os arrebatados.
Pedro, Tiago e João, não
glorificados representa naquele momento, Israel na carne no futuro
reino. A multidão ao pé do monte representa os que serão introduzidos
no reino depois do seu estabelecimento sobre Israel (Is 11.10-12).

Sobre o assunto discorre Carlo Jonhahsson e Ivan Hellstron: “Não
falavam com os discípulos, mas com Jesus tratando de sua eminente morte
em Jerusalém.
Moisés e Elias foram trazidos por única e
exclusiva vontade de Deus (Pr. N. Lawrence Olson). Os mortos estão sob o
controle de Deus, o Senhor da vida da morte.

O HADES, O MUNDO
INFERIOR, O LUGAR DO FALECIDOS

Em Mt 16.18 Jesus mencionou
“as portas do inferno” (Hades no grego), lugar que merece um estado
profundo dentro das Escrituras. Este lugar vamos chamar de “o mundo
invisível”.
O inferno é o lugar destinado ao suplício das almas
dos perdidos. Há quatro palavras traduzidas para inferno, na Edição
Revista e Atualizada: Sheol, Hades, Gehenna e Tártaroo.


SHEOL no hebraico o mundo dos mortos. Ocorre 65 vezes ao longo do
período do hebraico bíblico. Primeiro, a palavra significa o estado de
morte (Sl 6.5). É lugar do descanso final de todos os homens (Jó 21.13).
“Sheol” é paralelo às palavras hebraicas para “inferno” (Jó 26.6),
“corrupção” (Sl 16.10) e “perdição” (Pv 15.11).
Segundo, é usado
para descrever um lugar de existência consciente depois da morte (Gn
37.35). Todos os homens vão para o “Sheol” - um lugar e estado de
consciência depois da morte (Sl 16.10).













Hades gr/Seól heb - é o mundo invisível onde estão os espíritos.

Paraíso - onde estão os justo (sig. lugar de delícias).

Queber heb - “sepultura”, “cova” e “túmulo”.
Abaddon heb -
abismo
Tartarus gr - inferno
Geena gr - Lago de fogo

Thanatos gr - morte

HADES gr - A região dos espíritos
dos perdidos que morrem (mas incluindo os santos mortos em períodos
precedentes à ascensão de Cristo). Corresponde ao termo Sheol no Antigo
Testamento. Jesus declarou que tem as chaves do Hades (Ap 1.18).

ONDE
ESTÁ O HADES? QUEM O HABITA?

Os mortos, é evidente,
dividem-se em duas classes: os justos e os injustos. A Bíblia ensina que
à morte, a alma e o espírito do homem no caso do injusto, não seguirão
imediatamente para o lugar final de castigo, mas sim que irão a um lugar
temporário, à espera do juízo do Grande Trono Branco, depois do qual
irão para o lugar de suplício eterno, ou seja, o Lago de Fogo (Ap 21.8).

Os Mortos (justos) - Todos os justos, de Adão até à ressurreição de
Cristo ao morrerem, suas almas (com a possível exceção de Enoque e
Elias), desciam ao “Paraíso”, que naquele tempo constituía, um
“compartimento” do “Seól” (Hades no grego). A palavra “Paraíso” é de
origem persa e significa uma espécie de jardim. Jesus esteve lá (Ef
4.9), Paulo chama de “região inferior da terra”. Portanto, o Paraiso em
que Jesus e o malfeitor entraram estava no coração da terra.

Nesta descida ao Hades (Mt 12.40), Cristo efetuou uma grande e
permanente mudança na região dos salvos (Sl 68.18), isto é, nas
condições dos justos mortos (Ef 4.9).
Sobre o assunto o nosso
irmão Pedro disse: “...pregou aos espíritos em prisão ...” (I Pe 3.19). A
palavra usada no original implica em anunciar, comunicar; não pregar,
como se entende em homilética.
Os crentes que morrem hoje vão
para o Paraíso, só que agora não acha-se mais no Seól e sim no terceiro
céu (II Co 12.14), que está na “presença de Cristo” (II Co 5.8) e na
presença imediata do Pai (Hb 12.2).

GEHENNA gr - Lugar de
suplício eterno (Vale de Hinom), vale fora da cidade de Jerusalém que
servia de lixeira da cidade e onde queimavam os cadáveres de criminosos e
de animais. Ali sempre havia fogo aceso.
Representa a palavra
hebraica Ge-Hinnom (o vale de Tofete), Lago de Fogo que arde com fogo e
enxofre, lugar de punição eterna.

TARTAROO gr - Derivado de
Tartaros, o mais profundo abismo do Hades. Significa encarcerar no
suplicio eterno; precipitar no inferno.

RESSURREIÇÃO DOS MORTOS


Assim define Boyer: “Ato de ressurgir; regresso da morte à vida“.
Os Saduceus não criam haver (Mt 22.23).
O patriarca Jó
acreditava na ressurreição: “Morrendo o homem, porventura tornará a
viver?” (Jó 14.14). Cristo é o Autor da ressurreição (Jo 11.25).

Em geral os gregos consideravam toda a matéria inerentemente má, por
isso rejeitavam a ressurreição, Paulo então escreveu uma carta
corrigindo esse erro, não somente dos gregos, mas também dos judeus que
acreditavam que cada átomo do corpo sepultado ressuscitaria
literalmente (I Co 15.12,13).
O capitulo 15 de I Coríntios é a
mais bela síntese bíblico escatológica escrita pelo Apostólo Paulo,
tendo como titulo A ressurreição. Alguns fatos descritos por Paulo, nos
ajudarão na finalização desse estudo.

1o. Fato: Cristo
Ressuscitou (I Co 15.4)
A ressurreição de Cristo é o grande
milagre do cristianismo. As mulheres que foram ao sepulcro encontraram o
túmulo vazio (Mt 28.6).
Ele aparece a Madalena (Jo 20.11-18);
às mulheres (Mt 28.9-10); aos dois discípulos , no caminho de Emaús (Lc
24.13-33); a Pedro (Lc 24.34,35); aos dez discípulos na Galiléia (Jo
21.24-29); aos onze no monte na Galiléia (Mt 28.16,17); a Tiago (I Co
15.7); a uma multidão no Monte das Oliveiras (Lc 24.44-49) e a Paulo (At
9. 3-8).

2o. Fato: Na sua Segunda vinda Os mortos no Senhor
Ressuscitarão (I Co 15.23)
Na sua vinda do grego parousia
(visita real). É a chamada no conceito teológico de “A Primeira
Ressurreição” beneficiando a todos os justos que faleceram até o tempo
da segunda vinda de Cristo (Ap 11.18).
“Porque, se cremos que
Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os
tornará a trazer com ele” (I Tess 4.14).
Segundo o relato
bíblico, há crentes que não verão a morte e sim o arrebatamento (I Tess
4.17).

3o. Fato: A Morte da Morte (I Co 15.26)
“Ora, o
último inimigo que há de ser aniquilado é a morte”.
“E a morte e
o inferno foram lançados no lago de fogo. Está é a segunda morte” (Ap
20.14).
“A Segunda Morte”, é a condenação final, distinta da
morte física que é a sorte da humanidade inteira. A segunda morte
trata-se da morte eterna ou castigo eterno (Mt 25.46).
“...e não
haverá morte...”(Ap 21.4), para os salvos do lago, este flagelo da
humanidade, não será mais uma ameaça.
Aguardemos firmes por esse
glorioso dia em que a eternidade nos dirá: “Sóis bem vindos!”.

BIBLIOGRAFIA
DO AUTOR

Everaldo Filho, casado, Ministro do Evangelho,
militar reformado, Graduado em Teologia pelo Departamento de Educação e
Cultura Religiosa da CONAMAD, articulista, criou o Ministério Profético
Visão de Patmos, ex-tesoureiro da Associação Missionária Novas de Grande
Alegria, é membro da Igreja Assembleia de Deus em Nova Iguaçu (Pr.
Presidente João Nunes).

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